quarta-feira, 10 de setembro de 2014

BC - Carta para Clara

Minha pequena Clara,

O que dizer a você nesse momento? Será que daqui há alguns anos poderei ler essa carta para você?

Só posso começar dizendo que te amo. Muito. Assim desse meu jeito meio torto e estranho.

Mamãe tem aprendido muito com você. E creio eu, nada na vida tem me ensinado tanto quanto ser mãe, a sua mãe e, é algo Clara, que só quando você mesma tiver o seu próprio filho nos braços será capaz de entender.

Mamãe acredita que o maior desafio desde que nasceu é lidar com a quebra do silêncio e da solidão a qual eu estava acostumada, eu lia muito, falava pouco e me concentrava muito em estar sempre meditativa sobre as coisas da vida. Seu nascimento me trouxe para uma outra ótica mais prática, ativa, como um furacão que irrompe sem pensar e que desaba tudo, mas que também traz a possibilidade de uma reconstrução melhor.

Eu só espero que me perdoe pelos meus altos e baixos e pelas vezes que fico bem impaciente, que peço pelo céus um pouco de calma. E que  entenda que, assim como o é para você, essa vida é nova - para nós três. Eu, você e papai.

O que eu levo comigo desses dias porém, é sua gargalhada sincera, o brilho em seus olhos quando escuta músicas de que gosta, sua curiosidade tão parecida com a minha, aquela concentração com coisas pequeninas e que parecem gigantes em sua mão.

Da sua mãozinha puxando de leve meus cabelos enquanto mama, do seu aconchego em meu seio quando dorme, dos seu abraço pequenino, da felicidade estampada no rosto quando me vê e vê papai chegando do trabalho. A cara de sapeca para a vovó, porque, sei que sabe que ela deixa que faça todas as bagunças. rs

E são exatamente essas pequenas coisinhas (enormes para nós) que esboçam o traço forte e inquebrável do amor que construímos juntas. Você é a maior luz que minha vida poderia ter conhecido e a alegria mais verdadeira também.

Te amo. E prometo estar sempre aqui, para o que der e vier. E atravessaremos juntas essa selva humana que tanto precisa de seres melhores para enfim conhecer a paz.

Com carinho,

Mamãe.



terça-feira, 2 de setembro de 2014

9 meses depois - como está a mamãe?

E como está a mamãe da Clara nove meses após o parto?

Eu diria que expor como se está depois de dar à luz, vai para além de só dizer do aspecto físico já que, acredito eu, nada muda tanto uma pessoa quanto a entrada no mundo da maternidade. 

Portanto, vamos primeiro aos dados físicos da coisa toda. rs

Eu fiz uma cesária eletiva. E é óbvio que, embora tenha sido uma decisão consensual, ela não foi feita pesando a desvalorização do parto normal. Aliás, algo que eu queria e ainda quero muito mas, convenhamos, toda mãe que não possui uma renda muito alta, sabe o quão arriscado é se expor a um parto normal sem as características do parto normal humanizado. E, sinceramente, não queria MESMO correr esse risco com minha filha.

Então, eu cheguei a data do parto - 22/11/2013 -, como uma grávida bem relax. A última semana foi marcada mesmo por uma leve ansiedade e sofrimento com o calor. Terminei a gestação com 39 semanas e 1 dia e 73kg - pesando o emagrecimento imenso que tive com os enjoos, engordei 8 quilos durante esse tempo.

Com a amamentação exclusiva, perder o ganho de peso foi rápido, muito rápido. Em dois meses eu já estava no meu peso normal e em mais alguns eu já estava pesando como a dez anos atrás, na época em que iniciei a faculdade. Dos 73 fui para os 58. E é ai que entra aquele monte de gente para achar que você está doente e blablablá.

Eu só tive um perrengue entre o quinto e sexto mês da Clara, os mais tensos da amamentação, ai sim, confesso que passei muito mal de fraqueza e esgotamento, cheguei a ir no médico e fazer um batalhão de exames e estava tudo ok. A fraqueza era mesmo de exaustão e cansaço. Dois itens que tenho lutado diariamente para não pesarem tanto na minha saúde.

Dos remédios que tomei, vale ressaltar o antibiótico mega forte devido ao início de mastite. Até um assunto para outro post sobre amamentação.

Outro perrengue foi o cabelo, Jesus, nunca pensei que fosse cair tanto... E muito... E desesperador... Eu pensei que ia ficar careca. Daí que para amenizar os efeitos, eu fui cortando o comprimento dele aos poucos, o que fortaleceu e ajudou a criar volume e voltar a crescer bem. Porém, dei adeus ao meu cabelão... E o tanto de branco que está aparecendo?

E da parte emocional.

Hoje vejo como certo de que cada corte de cabelo foi um expurgo, de tudo que eu estava sentindo, vivendo e me transformando.

Em alguns momentos, pensei que iria enlouquecer e, as vezes, ainda penso que vou. Nos três primeiros meses da Clara tive que concluir a escrita da dissertação de mestrado, foi intenso e extenuante. E ainda tinha que conciliar com o conhecer o bebê e a nova rotina.

Depois foi vivenciar aprender a lidar com o cansaço e com o início das papinhas. E hoje, é o choro da crise dos oito meses.

Tem dias que são, na maternidade, luminosos e felizes. E, em outros, você não sabe ao certo onde é que se meteu e como vai conseguir resolver tantos perrengues.

Meu desafio maior continua sendo conciliar o bebê e a rotina de limpeza de casa, minha casa está sempre pedindo uma vassoura. E, viver só como dona de casa por vezes me leva a um stress sem precedentes...

Ah e tem o choro  sem motivo.... Esse, minha gente, para uma apreciadora maior do silêncio... É tenso, viu?

Do que eu percebo que eu cresço a cada dia com a Clara e me supero ou não em vários aspectos dessa nova vida. É um constante aprendizado em que, espero, eu consiga sempre fazer o meu melhor.

Abraços,

Daniela


- quase um ano depois, a mesma árvore, mas quanta diferença... 2013-2014 -


- Cabelo, cabelão, cabelo curto - 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

9 meses

Anda difícil encontrar um tempo para escrever no meio de tantos afazeres e mudanças. Parece que, embora já tenha se passado o tempo de uma gestação, cada etapa dessa nova vida requer uma releitura de si mesmo e uma reavaliação da rotina e das ações cotidianas.

Por aqui, as novidades do nono mês incluem, uma crise (leia-se = choro intenso se mamãe sai de perto) e problemas com intestino preso. Aliás, o último item é o que mais tem me preocupado, pois mesmo tentando acertar pela alimentação não anda funcionando muito...

Dos aprendizados, minha pequena adora bater palminha, já fala um sem números de dedés, dadá, papa, nene e afins. Quanto a engatinhar... ela detesta ficar de bruços, por isso, acho que ou ela demora a engatinhar ou anda primeiro, viu?

Da vida pessoal, tetando fazer a correção final da minha dissertação de mestrado, mas ando tão avoada que, tá difícil demais!

Abraços,

Daniela

segunda-feira, 28 de julho de 2014

8 meses

Impressionante como os dias tem passado rápido. Como atualmente divido meu tempo sendo mãe e dona de casa (coisa que jamais tinha sido exclusivamente na vida) me vejo em um redemoinho de atividades que jamais cessam, o que tem resultado em um cansaço infinito. Do que mais sinto faltas, sem dúvidas, são das minhas leituras e de escrever, que saudades de escrever. Me sinto muito perdida de mim mesma.

No mais, Clara vai bem, se desenvolvendo bem e finalmente se alimentando de modo satisfatório. Só não diminui os mamas, mama muito dona Clara, adora, quer mamar antes e depois da comida, quer mamar sempre, para dormir, para brincar, para tudo... Resultado, mãe esgotada.

A rotina tem entrado mais nos eixos, mas dou as minhas vaciladas... A maior dificuldade continua sendo o sono. Só que passa não é? Tudo passa...

Abraços,

Daniela



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Como anda a vida!

As coisas aqui andam cada dia mais puxadas e eu com mais dificuldades de estabelecer uma rotina. É a rotina de tentar fazer uma rotina, ufa, mal dá para ir nos blogs ler.


Por aqui estamos quase definindo um padrão para a IA e, pasmem, depois do 7 meses a coisa por aqui melhorou muito. Do que eu notei que talvez, por Clara não ter pegado nem bico e muito menos mamadeira, lidar com algo diferente do mama na boca era muito difícil, agora ela já está ficando mais craque.



E cada dia mais esperta e falante rsrs. Sobretudo, se comunica com gritinhos, um amor. E assim vamos caminhando!



Bjos,



Daniela



quarta-feira, 4 de junho de 2014

BC - Filho único ou não?

Está ai algo que paira quase sempre sobre a minha cabeça...

Eu sempre disse que gostaria de ter três filhos. Talvez por ver minha mãe com seus três irmãos e de como eles se ajudam. Famílias grandes tendem a ser mais companheiras e eu quero muito isso para a Clara e para os outros filhos que vier. Li um texto muito bonito esses dias que dizia que filhos são dom de Deus, uma dádiva para fazer dos lares mais felizes e tenho pensado muito nisso desde então.

Claro que preciso admitir que, se para a primeira gestação não havia medo algum em engravidar e ter um bebê, agora... São muitas mudanças físicas e emocionais, principalmente emocionais, porque, vamos admitir, a mulher vira uma montanha russa emocional que nunca para após a gravidez e o nascimento de um filho. Do que eu acabei concluindo que uma gestação demanda muito da mulher, muito mesmo, é uma anulação plena de si para trazer a vida nova e ao trazer essa vida, uma reconstrução daquilo que se foi, para o que agora se é.

E tem também um medo lá no fundo de passar pelo parto de novo...

Do que eu acabei concluindo que, no alto de seis meses no mundo da maternagem, perguntar-se por um segundo e um terceiro filho é complicado. Estamos envolvidas tão profundamente com o bebê, com as mudanças, com o cansaço... (que tem dias que é tanto que você pensa que não quer filhos nunca mais rsrs).

Quero ter outro filho sim. Se a idade permitir, e as condições financeiras também, talvez até um terceiro... (do que entra aqui um detalhe engraçado, a minha mini fobia de engravidar de gêmeos rsrs). Só que agora, nesse momento, não sei dizer quando e nem como, se Clara terá três ou seis anos... Isso só o tempo mesmo e de como as coisas vão encaminhar por aqui.

Abraços,

Daniela

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre a Gravidez



Tenho pensado muito em uma palavra para definir minha gestação. Em termos físicos, foi uma gravidez tranquila, é claro que tivemos por aqui muito enjoo (com direito a vomitar demais) e a calor extremo no finalzinho mas, no geral, tudo caminhou super bem. No entanto, as coisas não iam tão bem no nível emocional.

O ano de 2013 foi um período muito conturbado para a minha família. E talvez a marca mais forte disso tenha sido a doença da minha mãe que, para mim, que tinha descoberto a gravidez recentemente, foi barra pesada. Eu senti muito medo. Medo de que ela não pudesse estar comigo no momento em que eu mais precisava.

Nisso, mestrado, trabalho e casa foram se avolumando a ponto de me inundar, eu não dava conta de muita coisa. Apenas das minhas aulas, dadas na zona rural no período noturno. Eram dias bem esperados na semana, porque eu esquecia e era bom esquecer... E no entanto, bem no final da gestação, descubro que o Estado não cobre a licença maternidade para professoras contratadas e que eu teria de deixar meu cargo para ter direito a algo que é meu DIREITO! 

E isso tudo uma semana antes de dar a luz... Pensa só?

Eu definiria assim, esses nove meses, como de silêncio e solidão. Nunca me senti tão só, comigo e meus pensamentos. 

E talvez... Talvez por isso, a minha relação comigo mesma no pós parto e tantas novidades acontecendo tenha sido tão conflituosa.

É claro que também tiveram os bons momentos. Eu defino o último trimestre como o melhor, eu estava mais antenada no que era estar grávida e mais tranquila sobre minha mãe, finalmente parei de enjoar com quase 7 meses, passei a cuidar de preparar as roupinhas, o cantinho da Clara.

E como nove meses parece tanto tempo e tão pouco tempo ao mesmo tempo? Quando penso neles, penso que eu queria ter curtido um pouco mais, ter mais fotos da barriga, em todos os meses, ter estado mais relaxada, ter procurado mais companhia. Eu já acompanhava alguns blogs, mas não tinha energia para fazer um...

A melhor lembrança com toda a certeza sempre serão os movimentos da Clara, pois eram eles que me davam forças para fazer o meu melhor, por ela, por mim, pelo meu marido e pela minha família.

E vamos que vamos né?

Bjos,

Daniela